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Regulação e Tokenização: Bancos de Wall Street Focam em Instituições, Enquanto Challenger Britânico...

Por Redação VerticeCripto
5 min de leitura
Regulação
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Ilustração editorial sobre regulação: Regulação e Tokenização: Bancos de Wall Street Focam em Instituições, Enquanto Challenger Britânico...

Bancos de Wall Street Focam em Tokenização Institucional, Enquanto Challenger Britânico Inova no Varejo

Grandes instituições financeiras como JPMorgan e Citi movimentam bilhões de dólares em depósitos tokenizados, mas seus serviços permanecem majoritariamente restritos a clientes institucionais e redes permissionadas. Em contraste, o Monument Bank, um banco desafiante do Reino Unido, prepara-se para tokenizar até 250 milhões de libras em depósitos de varejo com juros na blockchain Midnight. Este movimento visa oferecer aos consumidores acesso a investimentos e empréstimos tokenizados diretamente por um aplicativo bancário convencional, eliminando a necessidade de interação direta com criptomoedas ou a complexidade da tecnologia blockchain.

O projeto do Monument Bank utiliza provas de conhecimento zero (zero-knowledge proofs) para garantir a proteção dos dados dos clientes, ao mesmo tempo em que cumpre rigorosos requisitos regulatórios. Esta abordagem representa uma tentativa de preencher a lacuna entre a inovação da tokenização e a acessibilidade para o público geral. Enquanto os gigantes de Wall Street modernizam seus sistemas legados para pagamentos transfronteiriços, a iniciativa britânica busca expandir os benefícios da blockchain para o investidor de varejo.

Contexto e Detalhes da Tokenização Financeira

JPMorgan, por meio de sua plataforma blockchain Kinexys, processa mais de US$ 3 trilhões, e o Citi Token Services movimenta bilhões em pagamentos transfronteiriços diariamente. Apesar desses volumes expressivos, Mintoo Bhandari, fundador do Monument Bank, observa que a maioria dos projetos de dinheiro tokenizado são internos. Ele argumenta que essas iniciativas, embora modernizem os sistemas legados dos bancos, ainda não geram um impacto significativo para o banco como um todo ou para o consumidor comum.

Esta é a principal divisão no debate sobre dinheiro tokenizado. Bancos implementam depósitos e pagamentos tokenizados em infraestruturas blockchain, mas a maioria dos projetos permanece confinada a clientes institucionais ou redes permissionadas. Uma rede permissionada é um tipo de blockchain onde apenas participantes autorizados podem acessar e validar transações, contrastando com blockchains públicas abertas como o Bitcoin ou Ethereum. O Monument Bank e a blockchain Midnight, focada em privacidade, apostam que depósitos bancários regulados e com juros podem, eventualmente, conceder aos clientes de varejo acesso a investimentos e empréstimos tokenizados sem exigir que compreendam ou utilizem diretamente criptomoedas.

Bancos tradicionais enfrentam desafios significativos com arquiteturas de TI que datam da década de 1970, dificultando a adaptação rápida às inovações. Jerald David, CEO da Lynq Network, aponta que as tesourarias de grandes instituições frequentemente gerenciam múltiplos sistemas para a mesma função. Isso cria ineficiência de capital, pois a liquidez fica fragmentada em diversas redes, tornando-a inacessível onde e quando é mais necessária. A tokenização de depósitos, diferente de uma stablecoin, permanece como uma reivindicação sobre o banco emissor, podendo render juros e ser programada para liquidação contra ativos tokenizados, tudo dentro do sistema bancário regulado.

O Monument Bank, ao contrário dos emissores de stablecoins, possui uma licença bancária que o permite pagar juros sobre depósitos. A instituição planeja oferecer contas poupança tokenizadas que geram rendimento, totalmente lastreadas pelo banco e resgatáveis na paridade de um para um em libras esterlinas, com proteção do Financial Services Compensation Scheme. Fahmi Syed, presidente da Midnight Foundation, explica que a infraestrutura de blockchain pública apresenta o desafio de expor dados de transações e relacionamentos comerciais dos clientes. Para resolver isso, Midnight emprega provas de conhecimento zero, que permitem verificar informações sem revelar os dados subjacentes, garantindo privacidade e conformidade.

Impacto no Brasil e o Cenário Regulatório

A iniciativa do Monument Bank no Reino Unido oferece um paralelo interessante com o desenvolvimento do DREX (Real Digital) no Brasil, a moeda digital de banco central (CBDC) brasileira. Embora o DREX esteja inicialmente focado em transações interbancárias e tokenização de ativos financeiros no atacado, a visão de longo prazo do Banco Central do Brasil inclui a expansão para o varejo. A experiência britânica com depósitos tokenizados para consumidores pode servir de estudo de caso para o Brasil, especialmente na forma como a regulação pode ser adaptada para proteger o investidor comum.

O Marco Legal das Criptomoedas (Lei 14.478/2022) no Brasil estabeleceu um arcabouço regulatório para prestadores de serviços de ativos virtuais, mas a tokenização de depósitos bancários com juros para o varejo ainda é um campo em desenvolvimento. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Banco Central do Brasil têm explorado a tokenização de ativos, mas a integração direta de depósitos bancários tradicionais com rendimento em uma blockchain para o consumidor final, como proposto pelo Monument Bank, representa um avanço que pode influenciar futuras discussões regulatórias no país.

Para o investidor brasileiro, acompanhar esses desenvolvimentos é crucial. A possibilidade de acessar produtos financeiros tokenizados através de um aplicativo bancário familiar, sem a complexidade de gerenciar chaves privadas ou entender a fundo a tecnologia cripto, pode democratizar o acesso a novas oportunidades de investimento. A regulação brasileira precisará evoluir para acomodar essas inovações, garantindo a segurança dos fundos e a conformidade fiscal, como já ocorre com a declaração de criptomoedas via IN 1.888 da Receita Federal.

Próximos Passos e o Que Observar

O sucesso do projeto do Monument Bank em tokenizar depósitos de varejo na Midnight será um indicador importante para o futuro da tokenização em finanças tradicionais. Será crucial observar a aceitação dos consumidores e a capacidade do banco de escalar essa infraestrutura, que, segundo Bhandari, poderá ser licenciada para outras instituições através da Monument Technology.

O teste maior não é se os bancos podem tokenizar dinheiro — eles já demonstram essa capacidade. A questão central é se conseguirão tornar esse dinheiro tokenizado útil e acessível aos consumidores, sem comprometer a privacidade, as salvaguardas regulatórias e a confiança que caracterizam um depósito bancário tradicional. A evolução da regulação global em torno de depósitos tokenizados e stablecoins continuará a moldar este cenário, com a Ásia-Pacífico já se destacando como um campo de provas essencial para essas inovações.

Aviso: Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Sempre faça sua própria pesquisa antes de investir em criptomoedas.

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