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Regulação Cripto nos EUA: Saídas Chave Reduzem Chances de Lei CLARITY

Por Redação VerticeCripto
5 min de leitura
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Ilustração editorial sobre regulação: Regulação Cripto nos EUA: Saídas Chave Reduzem Chances de Lei CLARITY

A perspectiva de uma legislação clara para o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos enfrenta um desafio significativo. Quatro figuras influentes em posições federais estratégicas, ligadas à política de ativos digitais, estão deixando seus cargos. Essas saídas, que incluem representantes do Tesouro, Casa Branca, SEC e Senado, ocorrem em um momento crucial, enquanto legisladores correm para finalizar o arcabouço regulatório para o setor.

Com as partidas de Tyler Williams, Harry Jung, Hester Peirce e Cynthia Lummis, as chances de aprovação da CLARITY Act em 2026 caíram para 27%, segundo dados da Polymarket de 29 de julho. A lei é fundamental para definir a jurisdição entre a Securities and Exchange Commission (SEC) e a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) sobre os ativos digitais, um ponto de atrito persistente no ecossistema cripto.

Contexto e Detalhes da Despedida de Líderes Regulatórios

Tyler Williams, principal conselheiro do Secretário Scott Bessent em políticas de blockchain e ativos digitais no Tesouro, retornou ao setor privado em 31 de julho. Sua saída é a quarta de um cargo federal sênior este ano, em um período de intensa negociação legislativa para a regulação de ativos digitais.

Harry Jung, que coordenava a política de ativos digitais entre agências, o Congresso e a administração na Casa Branca, anunciou sua saída do Conselho Cripto da Casa Branca em 20 de julho. Hester Peirce, líder da Força-Tarefa Cripto da SEC, também planeja deixar a agência ainda este ano.

No Senado, Cynthia Lummis, presidente do subcomitê de ativos digitais da Comissão Bancária do Senado e coautora do projeto de lei de estrutura de mercado, já declarou que não buscará a reeleição e deixará o Senado em janeiro de 2027. Essas partidas representam uma perda considerável de expertise e continuidade em um processo regulatório complexo que levou anos para ser construído.

A CLARITY Act busca estabelecer onde termina a autoridade da SEC e onde começa a da CFTC, atribuindo à CFTC jurisdição sobre os mercados à vista de commodities digitais, enquanto a SEC manteria a autoridade sobre valores mobiliários e ativos de contrato de investimento. Essa distinção é vital para determinar quais exchanges podem listar um determinado token, quais divulgações um projeto deve aos compradores e a qual regulador um investidor pode recorrer em caso de falha de uma plataforma. A versão do Senado da CLARITY Act também estabeleceria regras de registro para exchanges, corretores e dealers de commodities digitais, abrangendo divulgações, conflitos de interesse, responsabilidade financeira, segurança cibernética e proteção de ativos de clientes. A Câmara dos Representantes já aprovou sua própria versão, H.R. 3633, em julho de 2025, por 294 a 134 votos. Sem uma legislação clara, as plataformas continuam a tomar decisões de listagem, custódia e produtos com base em interpretações de agências, posturas de fiscalização e regras estaduais, que podem mudar sem um voto no Congresso. A saída desses oficiais remove funções específicas desse processo inacabado, dificultando a continuidade das negociações e dos detalhes técnicos que foram desenvolvidos ao longo de dois anos.

Impacto no Brasil e a Regulação Local

A indefinição regulatória nos Estados Unidos, um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo, gera reverberações globais, incluindo no Brasil. Embora o Brasil tenha avançado significativamente com seu próprio marco regulatório, a Lei 14.478/2022, a incerteza externa pode influenciar a percepção de risco e o fluxo de investimentos para o setor.

O marco cripto brasileiro já estabelece diretrizes para prestadores de serviços de ativos virtuais, com o Banco Central do Brasil (BCB) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trabalhando na definição de regras específicas. Essa proatividade coloca o Brasil em uma posição de vanguarda em comparação com a atual estagnação nos EUA. Contudo, a ausência de um modelo regulatório unificado globalmente pode atrasar a harmonização internacional, um fator importante para a expansão de grandes empresas e a segurança jurídica de operações transfronteiriças.

Para o investidor brasileiro, que já se adapta às exigências da Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal para a declaração de criptoativos e à tributação de ganho de capital, a clareza regulatória internacional é um fator de estabilidade. A volatilidade e a incerteza nos EUA podem, indiretamente, gerar cautela, mesmo com o avanço da regulação local. Exchanges nacionais, como Mercado Bitcoin e Foxbit, operam sob um ambiente regulatório em construção no Brasil, mas a falta de clareza em mercados maduros como o americano pode impactar a liquidez global e a atração de capital estrangeiro para o ecossistema brasileiro de blockchain e DeFi.

Próximos Passos e o Futuro da Regulação Cripto

O caminho para a regulação de criptomoedas nos EUA apresenta dois cenários principais. O otimista prevê que os negociadores do Senado resolvam as objeções éticas e bancárias, levando a CLARITY Act a uma votação antes do recesso. Nesse caso, os substitutos dos oficiais que estão saindo herdariam uma legislação já existente, conferindo durabilidade à supervisão da estrutura de mercado, similar ao que ocorreu com as stablecoins sob a GENIUS Act.

O cenário pessimista, por sua vez, aponta para a confluência do calendário apertado do Senado e as lacunas de pessoal. A saída de Hester Peirce da SEC, enquanto Cynthia Lummis cumpre seu último ano com menos influência, e a política de meio de mandato podem consumir o tempo necessário para a votação da CLARITY Act. Sem a aprovação da lei, as regras de classificação, registro e divulgação para investidores continuariam a ser moldadas por memorandos de agências e decisões de fiscalização, sem um estatuto legal robusto por trás delas. O mercado de Bitcoin e outras criptomoedas permanece em compasso de espera por uma regulação duradoura nos EUA, enquanto as figuras-chave que trabalharam por anos na construção desse arcabouço deixam seus postos antes da conclusão do processo legislativo. A decisão de investimento cabe a cada indivíduo após própria análise (DYOR), considerando a imprevisibilidade do mercado.

Aviso: Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Sempre faça sua própria pesquisa antes de investir em criptomoedas.

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