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Bitcoin: Falha do BIP-110 Gera Crise e Proposta de Mudança no PoW

Por Redação VerticeCripto
6 min de leitura
Bitcoin
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Ilustração editorial sobre bitcoin: Bitcoin: Falha do BIP-110 Gera Crise e Proposta de Mudança no PoW

Falha do BIP-110 no Bitcoin Gera Debate e Proposta Radical de Mudança

A proposta de soft fork BIP-110 do Bitcoin não conseguiu o apoio necessário dos mineradores, resultando em uma cadeia minoritária que produziu apenas dois blocos antes de estagnar. Este desfecho desencadeou uma forte reação da comunidade, com críticas direcionadas ao desenvolvedor Luke Dashjr, um dos principais defensores da iniciativa. A situação agora evolui para uma tentativa de reviver a cadeia minoritária e uma proposta mais disruptiva: alterar o mecanismo de Proof-of-Work (PoW) do Bitcoin.

O objetivo do BIP-110 era restringir temporariamente certas formas de dados arbitrários na blockchain do Bitcoin. Para sua ativação, era exigido o sinal de 55% do poder de mineração durante a janela de implantação. No entanto, o suporte dos mineradores atingiu apenas alguns pontos percentuais, levando à rejeição de blocos por nós que consideravam o BIP-110 inválido e, consequentemente, à divisão da rede.

O Cenário Pós-Falha do BIP-110 e a Reação da Comunidade

A falha do BIP-110 em obter apoio significativo dos mineradores deixou a proposta isolada em uma cadeia minoritária, que parou no bloco 961.633. Apenas dois blocos foram minerados pelo grupo Roughnecks nessa ramificação, sem que um terceiro bloco fosse encontrado. Este resultado deslocou o foco do debate, passando da ativação do BIP-110 para o que deveria acontecer com a proposta e com seu proeminente defensor, o desenvolvedor Luke Dashjr.

A rejeição do BIP-110 gerou críticas de figuras importantes do ecossistema Bitcoin. Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, observou que aproximadamente 99,85% do hashpower do Bitcoin permaneceu na cadeia dominante, deixando o BIP-110 com cerca de 0,15%. Saylor estimou que, a essa taxa, a ramificação minoritária levaria cerca de 25 anos para minerar os 2.016 blocos necessários para seu primeiro ajuste de dificuldade. Ele enfatizou que "o consenso é conquistado, não declarado", argumentando que a infraestrutura econômica, incluindo mineradores, exchanges, custodiantes, carteiras e detentores, permaneceu majoritariamente na rede principal.

David Bailey, CEO da empresa de tesouraria Bitcoin Nakamoto, classificou o BIP-110 como o soft fork menos popular e mais inconsequente já tentado, sugerindo que seus apoiadores deveriam refletir sobre a ativação fracassada. Paralelamente, as consequências do soft fork se estenderam para além da proposta em si. Mark "Murch" Erhardt, editor de BIPs, propôs a remoção de Dashjr da equipe editorial, acusando o desenvolvedor de usar sua posição de forma inconsistente ao advogar pelo BIP-110.

Murch alegou que Dashjr tentou atribuir um número à proposta antes da discussão usual na lista de e-mails e, posteriormente, mesclou uma atualização minutos após a abertura de um pull request relacionado. A proposta de remoção de Dashjr foi formalizada como o pull request 2248 no GitHub e recebeu apoio de outros desenvolvedores de Bitcoin, como Matt Corallo, Olaoluwa Osuntokun e Jonas Nick. Antoine Riard sugeriu que Dashjr se afastasse, pelo menos temporariamente, mas alertou que o processo de BIP não possui um procedimento claro para a remoção forçada de um editor.

Em resposta ao revés, os defensores do BIP-110 contestam a premissa de que sua ramificação perdeu uma luta legítima de consenso. Dathon Ohm, autor da proposta, acusou grandes pools de mineração de conspirar para transformar o Bitcoin em um "depósito de dados tóxicos" ao minerar blocos rejeitados pelos nós do BIP-110. Ele afirmou que os apoiadores estão trabalhando em uma mudança de Proof-of-Work (PoW) com o objetivo de "demitir os mineradores". Dashjr reforçou essa posição, argumentando que o BIP-110 ainda possui apoio da comunidade e que apenas um pequeno número de "maus atores" o estava atacando. Ele declarou que "a mudança de PoW elimina sua ameaça".

Uma alteração no Proof-of-Work representaria uma escalada muito mais disruptiva do que o soft fork original do BIP-110. Os mineradores de Bitcoin atualmente dependem de hardware especializado SHA-256. Um algoritmo incompatível criaria um ambiente de mineração separado, forçando os defensores a construir sua própria base de mineradores, carteiras, exchanges, liquidez e usuários. O grupo Roughnecks, que minerou os dois blocos na ramificação do BIP-110, anunciou que pretende manter essa cadeia viva enquanto a mudança de PoW é considerada. Eles afirmaram que retomarão a mineração a partir do bloco 961.633, alegando que os mineradores da cadeia dominante "se bifurcaram da rede".

No momento, o Bitcoin opera a US$ 63.934,00, registrando uma variação de -2.00% nas últimas 24 horas, conforme dados da CoinGecko. A dominância do Bitcoin no mercado cripto global é de 56.5%, com o valor total de mercado das criptomoedas em US$ 2,271 trilhões.

Implicações para o Mercado Cripto Brasileiro e o Investidor Local

A discussão em torno do BIP-110 e a proposta de alteração do Proof-of-Work no Bitcoin, embora técnica, reverberam no cenário cripto global e, por extensão, no Brasil. Para o investidor brasileiro, a estabilidade e a segurança da rede Bitcoin são fundamentais. Debates sobre o consenso e a governança do protocolo podem influenciar a percepção de risco e a confiança no ativo digital mais importante.

A Lei 14.478/2022, o marco regulatório das criptomoedas no Brasil, busca trazer mais clareza e segurança jurídica para o setor. Eventos como a tentativa de soft fork do BIP-110, que geram incerteza sobre a direção do desenvolvimento do Bitcoin, podem ser acompanhados de perto por reguladores como o Banco Central do Brasil (BCB) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A forma como a comunidade global do Bitcoin resolve disputas de consenso é um indicativo da maturidade e resiliência do ecossistema, fatores que podem influenciar futuras decisões regulatórias no país.

Para as exchanges brasileiras, como Mercado Bitcoin, Foxbit e NovaDAX, a manutenção da integridade e da liquidez do Bitcoin é crucial. Uma eventual divisão permanente da rede, com a criação de uma nova criptomoeda a partir de uma mudança de PoW, exigiria adaptações significativas em suas plataformas, incluindo suporte para a nova cadeia e considerações sobre a paridade BTC/BRL. O investidor brasileiro, por sua vez, precisaria estar atento a potenciais implicações fiscais, especialmente no que tange à declaração de Imposto de Renda, caso uma nova moeda surgisse de um fork. A Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal já exige a declaração de criptoativos, e um novo ativo demandaria clareza sobre sua classificação e tributação.

O Futuro da Governança do Bitcoin e a Busca por Consenso

Os próximos passos em relação ao BIP-110 e à proposta de mudança de Proof-of-Work serão cruciais para a comunidade Bitcoin. A decisão do grupo Roughnecks de retomar a mineração na cadeia minoritária indica uma persistência em manter a ramificação viva, apesar do baixo hashpower. Observar se essa cadeia conseguirá atrair mais apoio e se a proposta de um novo algoritmo de mineração ganhará tração será fundamental.

O debate sobre a remoção de Luke Dashjr da equipe editorial de BIPs também permanece aberto, com o pull request 2248 no GitHub ainda em discussão. A forma como essa disputa interna será resolvida pode estabelecer precedentes para a governança e o processo de desenvolvimento do Bitcoin no futuro. A comunidade global de criptomoedas, incluindo os entusiastas e investidores no Brasil, deve acompanhar de perto esses desenvolvimentos, pois eles refletem a dinâmica contínua da evolução do protocolo e a busca por consenso em um ecossistema descentralizado.

Aviso: Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Sempre faça sua própria pesquisa antes de investir em criptomoedas.

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